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Teorias de modernização

As teorias de modernização eram as perspectivas dominantes na Ciência Política durante os anos 60 e 70. Baseiam-se na ideia de que os processos de modernização económicos produzem mutações sociais que por sua vez levarão a reivindicações de participação política e que produzirão mudanças que conduzem à democracia. A modernização consiste na transição de uma sociedade rural, para uma sociedade urbana, de agrícola, para industrial, de primitiva para avançada. É uma transição de relações sociais estáticas para dinâmicas. Inclui tanto factores económicos e sociais como valores e cultura. Esta transição altera a estrutura base de classe.

Huntington vê a modernização como uma questão de distribuição e de expansão do poder. A partir daqui faz a distinção de quatro tipos de sistemas políticos, consoante a configuração do poder, sendo estes o império burocrático (monarquia absoluta), o feudalismo (estrutura piramidal), o totalitarismo (ditadura) e a democracia constitucional.

Partindo desta análise, Huntington procura estudar os problemas que a modernização põe aos sistemas políticos anteriores, existentes na altura (1968), nos quais a legitimidade e poder residiam em instituições tradicionais de monarquias hereditárias. Por seu lado Lipset dirige o seu estudo sobre os meios utilizados na modernização fundamentando-se constantemente em comparações entre os diversos países com base em dados estatísticos de critérios de modernização. Segundo Lipset, quanto mais rica for uma sociedade maior probabilidade tem de ser democrática, sendo o critério de desenvolvimento económico o primordial na sua análise. Para ele, as sociedades pobres estão substancialmente divididas e têm mais probabilidades de serem oligarquias (comunismo ou peronismo) ou tiranias (ditaduras tradicionais). Ele explica isto pela relação que vê entre o baixo nível de riqueza e descontentamento suficiente para prover as bases sociais de extremismos políticos. No entanto, diz não querer afirmar que as dificuldades económicas e a pobreza são a causa dos radicalismos, sendo estas sobre tudo devido aos altos graus de desigualdade como consequência.

Huntington por seu lado defende que as monarquias tradicionais que tiverem um baixo nível de desenvolvimento económico e social, o seu nível de integração nacional é bastante mais forte que nos países subdesenvolvidos. Considera os padrões de modernização destes sistemas similares ao longo do tempo, sendo o incentivo à modernização o único factor que se altera. Enquanto outros autores consideram que o crescimento económico conduz ao desenvolvimento político, Huntington defende que a modernização pode provocar regimes ditatoriais, tendo de se conciliar a mudança com a ordem. Os processos de modernização minam a ordem no sentido em que introduzem novos actores no sistema. Deste modo, quanto mais acelerado for o processo, mais dinâmicos são estes grupos e mais radicais as suas reivindicações. O Estado não terá capacidade de resposta devido à velocidade dos acontecimentos, e deste modo implode, sendo tomado pelas forças armadas, visto estas terem capacidade militar organizativa e técnica para investir e desenvolver. Esta perspectiva foi revolucionária, e a conciliação da mudança com a ordem é ainda uma questão actual.

Estas teorias negam a autonomia da política e dos fenómenos políticos. Para além disso, visto o período em que foram concebidas [anos 60] reflectem claramente a realidade política da altura, estando sempre a contrapor comunismo e democracia e não se podem considerar duradouras. É no entanto de referir a importância da contribuição de Huntington para esta perspectiva. A modernização é a passagem de uma sociedade tradicional para uma sociedade moderna. As sociedades tradicionais são sobretudo sociedades rurais, agrícolas onde se enfatiza o status social, não havendo mobilidade. Os padrões de qualidade são tradicionalmente fixos onde o poder da igreja é muito presente. Enquanto que nas sociedades modernas têm várias características industriais, são urbanas, há educação generalizada e o Estado é laico. As sociedades modernas são também, em princípio, mais igualitárias [não se faz uma lei para um só indivíduo, a lei é aplicada a todos os cidadãos].

Nas sociedades tradicionais quem tem autoridade é tendencialmente quem sempre teve essa autoridade: nobreza e igreja. A primeira legitima-se pela dependência económica [propriedade privada] e a segunda pela religião. São forças conservadoras que fazem mover as sociedades tradicionais, enquanto que as sociedades modernas é a vontade de participação política que está na base da articulação da sociedade moderna.

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